TODA LUZ QUE NÃO PODEMOS VER
Autor: Anthony Doerr
Editora Intrínseca

Esse é um daqueles livros que eu nem sei direito o que falar, de tão bom que é!
Já estava na minha estante há muito tempo e eu demorei muito para ler, o que foi um erro, porque a leitura é maravilhosa!
Confesso que achei que seria mais fluida, fácil de ler. Porém, dedicando mais tempo e atenção, tudo foi muito bem.
Mas vamos falar da história né?
Acompanhamos, basicamente, dois núcleos: um com Marie-Laure LeBlanc, uma jovem francesa que fica cega aos 6 anos. E Werner Pfening, um jovem alemão apaixonado por rádio e muito inteligente no que diz respeito à física, eletrônica etc.
Os capítulos se alternam entre os dois e também no tempo. Começamos na época da Segunda Guerra Mundial, com um bombardeio na cidade de Saint-Malo, mas logo conhecemos a origem desses personagens.
Marie-Laure é extremamente doce e inteligente, aprendendo a viver com a cegueira com a ajuda de seu pai, que trabalha no Museu de História Natural, em Paris. Ele monta uma maquete perfeita do bairro em que moram, para que Marie possa aprender os caminhos e se locomover com facilidade.
Já Werner vive com a irmã em um orfanato no interior da Alemanha, até que descobre um rádio e se encanta com o aparelho. As duas crianças encontram uma transmissão francesa de um professor falando diversos temas de ciências e esse é o auge do dia deles na pacata casa.
Com a chegada da Guerra, Marie-Laure e o pai precisam fugir de Paris. Como seu pai era um funcionário de confiança, é um dos escolhidos para carregar uma réplica (ou original, ninguém sabe) de um diamante preciosíssimo e cercado de mistérios e lendas. Já Werner vai para uma escola militar, mas em pouco tempo está na linha de frente buscando transmissões de rádio clandestinas.
O tempo passa até que as histórias se cruzam – um dos momentos mais marcantes do livro.
Gostei muito da forma que o autor abordou a bondade no ser humano, mesmo nas piores circunstâncias. Também traz uma reflexão sobre o impacto que a guerra causa no psicológico das pessoas, além de mostrar como o rádio foi crucial nessa época, tanto para informar, socorrer ou manipular pessoas.
A escrita é de uma delicadeza sem tamanho. O autor é bem detalhista nas cenas, nos faz enxergar os ambientes e como os personagens estão, mas é preciso prestar atenção porque tudo pode mudar rapidamente.
Apesar de não ser uma leitura tão fácil, dá para entender porque foi ganhador do Prêmio Pullitzer em 2015.
Para quem gosta de drama e livros sobre guerra, é uma indicação excelente!


