
Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”.
Mas não demora muito para que alguns bichos – em particular os mais inteligentes, os porcos – voltam a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema “Todos os bichos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força.
Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura stalinista que a inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu.
Autora: George Orwell
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 147
O livro
Uma granja, chamada Granja do Solar, na qual os animais falam, sofre uma inesperada revolução. Estes bichos são explorados e decidem se rebelar, expulsar os humanos e tomar conta da fazenda. Como são todos animais, a ideia é que a igualdade reine, todos vivam em paz e sem preocupação em servir a quem quer que seja, mas trabalhar em equipe pelo bem comum da granja.
Tudo corre bem, com assembleias, planejamentos e até mandamentos para guiar as atitudes dos animais, que, em sua grande maioria, são bons e desejam que a granja seja exemplo para as demais. Até que, aos poucos, alguns bichinhos (leia-se aqui os porcos, que são os “mais inteligentes”) começam a desestabilizar o sistema instituído por todos.
Privilégios voltam a aparecer, novas regras surgem, histórias são inventadas e uma nova espécie de ditadura se instaura na granja.
Minha opinião e experiência de leitura
É fantástico o trabalho que George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) fez em A Revolução dos Bichos. O livro, lançado em 1945, logo no fim da Segunda Guerra Mundial é uma crítica explícita ao regime soviético em vigor durante a Guerra Fria.
A construção das personagens é muito bem feita, e é possível perceber o caráter dos animais e a mudança que alguns têm no decorrer da história. Tudo é construído de maneira a se compreender a rotina que havia na granja, as vantagens que vieram com a expulsão dos humanos e como tudo isso se perde quando os porcos conhecem o que é o “poder”, passando a explorar aqueles que eram, até pouco tempo antes, seus companheiros. A maneira como eles começam a se comportar, como se tornam dissimulados é algo que me arrepia, de tão irritante que é.
Se alguém não conhecer a analogia feita à União Soviética, o livro faz sentido; mas se conhece, faz ainda mais! E o que é ainda mais incrível: a obra parece atual, é possível “encaixar” os acontecimentos do livro em várias situações, depois de 70 anos de seu lançamento.
É uma ótima obra de ficção, mas também uma ótima crítica política e social.
Ou seja, vale a leitura!
Citações marcantes
“Então, Bola-de-Neve (que escrevia melhor) pegou o pincel entre as juntas da pata, cobriu de tinta o nome Granja do Solar do travessão superior e, em seu lugar, escreveu Granja dos Bichos. Seria esse o nome da granja dali por diante” (p. 24)
“Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros” (p. 106)


