Filmes

Metrópolis – Fritz Lang (1927)

Avaliação: 9.5 de 10.

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Título: Metrópolis
Título original: Metropolis
Diretor: Fritz Lang
Ano: 1927

(Crítica escrita para a disciplina de Cinema e vídeodocumentário e corrigida para o blog)

~ Atenção para spoilers ~

Uma das obras do cinema mais icônicas é Metrópolis, lançada em 1927, tanto pela crítica social que faz quanto pela produção, uma megaestrutura até para os dias de hoje. Existem várias versões do filme, pois logo após seu lançamento, a película foi editada e as partes retiradas acabaram desaparecendo.

Desde então, vários trechos têm sido encontrados ao redor do mundo, porém cerca de um quarto do filme pode ser considerado irreversivelmente perdido (conforme vídeo de uma versão, disponível na internet) – em alguns casos, os fragmentos encontrados posteriormente têm qualidade diferente do restante do filme.

De maneira geral, Frtiz Lang, o diretor, procurou trazer uma crítica incisiva ao modelo econômico e social vigente (capitalismo). Isso pode ser visto na construção da cidade, por exemplo, pois na superfície há modernidade, luxo, riqueza e diversão – o urbanismo é futurista, apresentando monotrilhos suspensos, prédios com alturas descomunais e aviões circulando com relativa tranquilidade. Há ainda um Jardim do Éden, local para diversão das classes mais altas e até mesmo uma Torre de Babel, espaço que concentra o poder político e econômico do município.

Esse cenário urbano é referenciado em outras obras do cinema ao longo do tempo.

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Já a representação do proletariado é feita através da cidade subterrânea, visto que os trabalhadores não têm energia e disposição para fazer outra coisa além de cumprir sua jornada diária de 10 horas. A alienação que eles têm é evidente, sendo bem representada quando Maria, uma professora dos trabalhadores, leva um grupo de crianças até à superfície para conhecer o lugar. A admiração que os pequenos têm é imensa. Mas eles não são os únicos, enquanto a cena se desenrola, o filho do prefeito, Freder, se apaixona por Maria.

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A trama também tem uma conotação “bíblica”, com o discurso da vinda de um mediador que os salvaria (representado na máxima “O mediador entre a cabeça e as mãos é o coração”). Há ainda a representação de Maria, a professora, como um santa e mensageira de boas notícias e esperança. Já no clímax da história, quando estoura a revolução, os sete pecados capitais retratados como estátuas na catedral da cidade são livres e há várias alusões ao livro de Apocalipse.

A obra ainda tem um caráter visionário ao trazer elementos ainda inexistentes na década de 20, como uma mão mecânica perfeita para o dr. Rotwang e a própria existência de Hel, o homem-máquina criado pelo cientista. Inicialmente, o robô era uma maneira de ressuscitar sua amada, que faleceu dando à luz a Freder, depois de ter trocado o cientista pelo prefeito.

A maior luta acontece quando o prefeito Joh Fredersen escuta palavras de Maria nas catacumbas, incentivando os trabalhadores a lutarem pela liberdade, porém sem o uso de violência. Esse discurso deixa os operários entusiasmados, mas Fredersen alarmado. Exatamente como grandes empresários capitalistas sentem-se ao perceber que uma revolução está prestes a estourar e tentam conte-la a todo custo.

O prefeito pede a Rotwang que Hel tome o lugar de Maria, mas a humanoide conduz os trabalhadores a um estado de insanidade, sob o mote de “morte às armas”. A situação se complica tanto que a cidade dos operários fica completamente inundada pela pane que as máquinas tiveram. O final parece morno, visto que um aperto de mão do prefeito com os trabalhadores aparenta selar uma paz, mas não deixa de ser uma ilusão, embora a convivência em sociedade seja possível pelo equilíbrio entre o capitalismo e o socialismo.

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O filme, finalmente, é uma das marcas maiores do expressionismo alemão, um dos primeiros movimentos do cinema, iniciado logo após a Primeira Guerra Mundial, retratando o cenário desolador e desesperançado que o país passou e que influenciou a sétima arte por muitos anos (alguns diretores ainda procuram trazer elementos dessa estética, como Tim Burton). Pode-se perceber suas principais características, como contraste entre preto e branco (roupas de Freder e dos operários, por exemplo); maquiagem marcante nas personagens, boca e olhos principalmente; frequente uso do jogo de luzes, criando fortes contrastes, como na fuga de Rotwang e o exagero nas expressões faciais e corporais, lembrando bastante o teatro, como nas epifanias que Freder frequentemente tinha.

Em geral, o filme procura abordar a dualidade existente nos seres humanos, que podem tornar-se suscetíveis e manipuláveis em algumas circunstâncias, porém não deixa de enfatizar a importância do discurso e da mobilização que o povo pode alcançar. Prova-se isso com a atualidade que o filme tem, mesmo após 90 anos de seu lançamento. Mesmo sendo um filme relativamente difícil de entender, a mensagem que transmite é extremamente atual, incentivando à luta por melhores condições de vida, sim, porém sem seguir discursos inflamados, carregados de metáforas, ódio e violência. A aceitação do discurso que Hel-Maria fez é resultante de uma audiência alienada, sem criticidade suficiente para avaliar o que seria melhor.

 

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