Livros e literatura - Resenha

Resenha: Dewey: um gato entre livros – Vicki Myron

Dewey: Um gato entre livros
Autor: Vicki Myron (com Bret Witter)
Páginas: 272
Editora Globo

Avaliação: 8 de 10.

Dewey – um gato entre livros é uma história real. E, por ser real, é tão comovente. Como pode um simples gatinho mudar a vida de toda uma cidade? Quem tem um gato em casa certamente não vai se surpreender. Quem não tem vai descobrir que, se os cachorros são brincalhões e animados, os gatos são carinhosos e companheiros. Foi assim que Dewey, um filhote abandonado e adotado por uma bibliotecária, tornou-se o mascote da cidade de Spencer, nos Estados Unidos.

Seu jeito de caminhar por entre os livros encantava adultos e crianças. Dono de um apurado sexto sentido, sabia escolher em que colo dormir todas as tardes – sempre de quem estava precisando de um carinho. Dewey virou um símbolo de amor e amizade para todos que frequentavam o local e, aos poucos, foi conquistando o país. À medida que sua fama se espalhava, Dewey se tornou um motivo de orgulho para Spencer e incentivou sua população a superar a maior crise econômica enfrentada na região em toda a sua história.

 

Dewey é um filhotinho de gato que aparece na caixa coletora da Biblioteca Pública de Spencer (Iowa, EUA) em uma geladíssima manhã de inverno. O bichano tem algumas queimaduras pelo frio, parece fraco e por pouco não morreu.

Após ser resgatado pelos funcionários da Biblioteca, Dewey passa a ser tratado e cuidado por eles, tornando-se logo o xodó do lugar. Foi aceito pelo Conselho Municipal para permanecer no local e também foi aceito por quem mais importa: as pessoas.

Seu nome surgiu do Sistema Decimal Dewey, que padroniza a catalogação de livros e obras literárias – perfeito para uma biblioteca! Foi uma saída criativa para um gato tão querido.

O livro gira em torno das histórias de Dewey, suas pequenas travessuras, seus gostos, hábitos e como conseguiu mudar uma boa parte da pequena cidade de Spencer. Como a autora diz:

“Dewey não pôs comida na mesa de ninguém. Ele não criou empregos. Não virou nossa economia. Contudo, uma das piores coisas que acontecem em épocas ruins é o efeito exercido na cabeça das pessoas” (p. 33).

Com o passar do tempo, Dewey ficou famoso por todo o país, no caso, os Estados Unidos, e logo ganhou fama e reconhecimento mundial. O que mais chama a atenção neste gato é a maneira como ele se relaciona com as pessoas – o que é exemplificado inúmeras vezes pela autora, inclusive com situações de sua vida pessoal.

A obra conta praticamente toda a jornada do mascote da Biblioteca, relatando principalmente o efeito que causava nas vidas que passava.

 

Minha opinião e experiência de leitura

Eu gosto bastante de livros sobre animais, mas demorei horrores pra finalizar Dewey. Comecei pelo menos umas três vezes e com bastante esforço consegui ler tudo.

A leitura é fluida em alguns momentos, mas em outros é um pouco maçante. Embora conte vários casos do gato, a obra traz várias situações acerca da cidade, sua história e quase uma biografia da autora.

Acho que isso me fez achar o livro um pouco chato. Não que a vida de Vicki, a bibliotecária não mereça atenção, porém eu esperava um livro sobre o Dewey, o gato da Biblioteca. Foi uma pequena “surpresa” ver vários outros aspectos abordados ao longo das páginas.

Tirando isso, a obra é muito bacana. Consegue transmitir muito bem a personalidade do gato, como ele marcava a vida das pessoas, como conseguiu transformar a Biblioteca e toda a cidade de Spencer, mesmo em uma época complicada.

A autora soube expressar muito bem os gostos de Dewey, sua rotina, suas brincadeiras… dá para chegar ao final do livro quase conhecendo pessoalmente o gato. Eu, que nunca tive um gato, fiquei encantada com a história dele, quase querendo um gatinho pra mim hahaha

Para quem curte histórias fofinhas, é uma boa indicação, mas espere ter vários e longos trechos de assuntos “aleatórios” entre as travessuras do gato.

 

Citações marcantes

“Que impacto pode causar um animal? Com quantas vidas um gato pode se envolver? Como é possível que um gatinho abandonado transforme uma pequena biblioteca em local de reunião e atração turística, inspire uma clássica cidade norte-americana , una uma região inteira e acabe se tornando famoso no mundo todo?” (p. 13)

“Talvez Dewey não pudesse dar muito, porém, no inverno de 1988, deu exatamente o que Spencer precisava” (p. 35)

“Dewey não tinha favoritos – gostava de todo mundo do mesmo jeito” (p. 78)

“Dewey não era especial porque tivesse feito alguma coisa extraordinária, mas porque ele era extraordinário. Era como uma dessas pessoas aparentemente comuns que, depois que você conhece melhor, se destacam da multidão” (p. 206)

“O mundo tende a reconhecer o exclusivo, o sonoro, o rico e o que trabalha em causa própria, mas não aqueles que fazem coisas comuns admiravelmente bem” (p. 207)

 

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